Nem precisou fazer licitação. O preço deles era melhor.


Pseudo-informativo dedicado a todos que enlouqueceram acreditando no progresso de Taquara
Nem precisou fazer licitação. O preço deles era melhor.


O Hospital de Caridade deve inaugurar em breve as novas e modernas instalações da sua UTI.
Todo o equipamento foi adquirido nas melhores papelarias da cidade, uma vez que UTI de interior é que nem mecânica de fusca: com um elástico e dois clips pode-se resolver qualquer problema.
O restante da verba foi utilizado na contratação dos serviços do Pajé Pocacura da tribo dos Faizquifaiz, perito em medicina elucubrativa e responsável pelos cuidados intensivos.
Também houve investimento na decoração do revestimento das paredes, todo ornamentado com delicados urubus pintados à mão, pois sabe-se que a visualização de elementos da natureza auxilia nos processos de recuperação.
Não houve investimento em eletricidade para evitar que alguns doentes graves vão para a luz.

Parece que finalmente vai haver troca na diretoria do hospital de caridade. Porém, isso deve ocorrer sem eleições e a linha de pensamento deve permanecer a mesma, já que o novo diretor é amigo de infância e pessoa de total confiança do diretor atual, pois ambos freqüentaram a mesma escola.

O longo período de estiagem que atravessa o município e todo o estado tem provocado a proliferação de algas neurotóxicas nos mananciais que abastecem Taquara de água potável.
Segundo biólogos do município “essas algas envenenam a água e afetam as estruturas do cérebro, provocando sérios distúrbios de conduta”.
Um dos exemplos mais dramáticos foi registrado na câmara de vereadores de Taquara, onde os políticos começaram a achar que estão recebendo demais e começando a considerar as sessões extraordinárias remuneradas uma prática abusiva. Chegaram a falar em devolver dinheiro o que, sendo um caso único no país, certamente é efeito do dano cerebral causado pelas algas.
A prefeitura não está conseguindo resolver o problema, pois segmentos resistentes da população insistem em cultivar as nefastas plantinhas. A secretaria da saúde já divulgou que não há motivo para entusiasmo, já que os danos não são permanentes e foi aumentada a vigilância nas margens dos rios.
Pesquisas recentes mostram que a obesidade acomete cerca de 10% das crianças no Brasil, provavelmente devido ao sucesso do programa Fome Zero do presidente Lula.
Além da síndrome metabólica que acompanha o quadro, sabe-se que 80% das crianças obesas irão desenvolver algum grau de depressão, o que representa outro grave problema de saúde pública.
Sempre atento ao que é importante, nosso glorioso município resolveu implementar uma varredura nas cantinas das escolas a fim de verificar o que nossas crianças estão comendo e descobriu o que todos sabíamos: elas só comem bobagem.
Sendo assim, foi contratada uma equipe de especialistas em alimentação natural com o objetivo de desenvolver um cardápio que erradicasse a obesidade e deixasse as crianças mais inteligentes.
Deu resultado. Metade das crianças diminuiu de peso e jurou nunca mais por os pés na cantina. A metade que ficou inteligente desenvolveu técnicas sofisticadas para traficar alimentos proibidos para dentro da escola. Um pequeno grupo, estatisticamente insignificante, desenvolveu canibalismo.
Taquara deve exportar em breve a metodologia para outros municípios.